O Governo Federal lançou o GeoRisk, um sistema para prever e evitar deslizamentos de terra no Brasil. Desenvolvido pelo Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o sistema foi apresentado em uma cerimônia na sede da instituição, em São José dos Campos (SP). O evento contou com a presença de autoridades e especialistas da área, que ressaltaram o potencial do GeoRisk para minimizar os impactos de eventos geológicos extremos e reforçar a segurança das populações vulneráveis.
O GeoRisk emprega modelos meteorológicos avançados, dados ambientais detalhados e registros históricos de desastres para gerar previsões mais precisas e antecipadas. Com a capacidade de emitir alertas com até 72 horas de antecedência, um avanço significativo em relação às 24 horas anteriores, o sistema permite que gestores públicos e comunidades em áreas de risco se preparem melhor para eventuais deslizamentos. Essa melhoria na antecipação dos desastres amplia as possibilidades de resposta rápida e adoção de estratégias preventivas mais eficazes.
A precisão do sistema tem sido comprovada nos testes realizados, onde o GeoRisk demonstrou a capacidade de identificar corretamente 90% dos deslizamentos ocorridos. Houve um aumento de 13% na taxa de detecção desses eventos, uma redução de 3% nos falsos alertas e um crescimento de 17% na assertividade das previsões. Esses resultados mostram o avanço tecnológico da plataforma e sua aplicabilidade prática para mitigar danos, reduzir perdas humanas e materiais e promover uma resposta coordenada das autoridades responsáveis. A ampliação do monitoramento para mais de 1.100 municípios e a previsão de cobertura para 60% da população brasileira até 2026 indicam uma maior cobertura da estrutura de prevenção do país.
Entretanto, a implementação do GeoRisk também apresenta desafios, principalmente relacionados à necessidade de fortalecer sua integração com órgãos de defesa civil e administrações municipais. A eficiência do sistema depende do compartilhamento ágil das informações geradas e da capacidade de resposta das autoridades locais, o que exige investimentos contínuos em gestão de dados abertos, capacitação técnica e modernização da infraestrutura de monitoramento. O sucesso da iniciativa será diretamente influenciado pela capacidade do governo e das prefeituras de utilizarem os alertas de forma rápida e eficiente.
A longo prazo, espera-se que a ferramenta contribua para a construção de cidades mais seguras e resilientes, reduzindo os impactos socioeconômicos de desastres naturais e fortalecendo a capacidade de resposta do país frente às mudanças climáticas e ao crescimento urbano desordenado.

