IA prevê desmatamento na Amazônia com até 15 dias de antecedência

Nos últimos 40 anos, o Brasil perdeu uma área de florestas e ecossistemas naturais maior que a Bolívia, e a Amazônia foi a região mais atingida. O desafio de conter esse processo passa não apenas pela fiscalização, mas também pela disponibilidade de informações confiáveis e rápidas. Um novo sistema de Inteligência Artificial (IA), desenvolvido pela PUC-Rio em parceria com o INPE, Ibama e Ministério do Meio Ambiente, promete mudar esse cenário ao prever, com até 15 dias de antecedência, as áreas com maior risco de desmatamento.

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Batizado de Deforestation Prediction System, o modelo já está disponível na plataforma TerraBrasilis, do INPE, e pode ser usado tanto por órgãos de fiscalização federais quanto por administrações municipais. A ferramenta combina imagens de satélite, dados ambientais e variáveis espaciais como rodovias, rios, áreas protegidas e registros históricos de desmate para identificar os locais mais vulneráveis. Com isso, busca orientar operações de campo de forma mais estratégica e eficiente.

A atualização era urgente. Até então, o Ibama contava com um sistema baseado em métodos criados há duas décadas, pouco compatíveis com os avanços recentes em ciência de dados. A nova solução recebeu investimento internacional de R$ 2,5 milhões da Climate and Land Use Alliance (CLUA) e foi desenvolvida ao longo de 18 meses, com apoio de especialistas em sensoriamento remoto e aprendizado de máquina. Os primeiros testes indicaram uma redução de 75% a 80% nos erros de previsão em comparação com o modelo anterior.

Além de estar em operação para o Ibama, o sistema foi apresentado em workshops em Brasília e Manaus, com participação de equipes de fiscalização e representantes de 67 municípios da Amazônia. A expectativa é que os governos locais também adotem o modelo para orientar suas próprias ações de controle. A ferramenta integra ainda o programa Amazonizar, da PUC-Rio, que concentra pesquisas voltadas para a sustentabilidade e os desafios climáticos da região.

Embora seja cedo para medir o impacto nos índices oficiais de desmatamento, a expectativa dos pesquisadores é que a precisão da IA contribua para reduzir o avanço da devastação. O próximo passo será ampliar o uso da tecnologia para prever incêndios florestais e processos de degradação em outros biomas, como o Cerrado. A aposta é que a cooperação entre universidades, órgãos públicos e iniciativas internacionais consolide soluções inovadoras de proteção ambiental no Brasil.

ISSN 3086-0415, produção de Luiz Ugeda.

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