Mapas da Embrapa passam a orientar crédito rural, políticas públicas e expansão agrícola no Brasil

Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), por Embrapa (Divulgação)

Levantamentos territoriais conduzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) têm se consolidado como base técnica para decisões estratégicas no campo brasileiro. Informações sobre clima, solos e uso da terra vêm sendo utilizadas por governos, instituições financeiras e produtores para orientar políticas públicas, concessão de crédito e planejamento da produção agrícola. Esses dados também sustentam programas de zoneamento agrícola e iniciativas de regularização ambiental.

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Uma das principais ferramentas derivadas desses levantamentos é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que relaciona informações climáticas, características do solo e exigências das culturas para indicar períodos e regiões de menor risco para o plantio. Criado em 1996 e inicialmente aplicado ao trigo, o sistema hoje cobre mais de 40 culturas em cerca de 5.500 municípios. Parte significativa do crédito rural concedido no país depende do cumprimento dessas recomendações, o que faz do zoneamento um instrumento relevante na política agrícola.

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Os mapeamentos também influenciam pesquisas e práticas produtivas. A análise de dados históricos permite identificar áreas mais suscetíveis a eventos como geadas, déficit hídrico ou temperaturas elevadas, orientando o desenvolvimento de cultivares mais adaptadas e técnicas de manejo específicas. Para gerar essas recomendações, pesquisadores utilizam séries climáticas, dados de solos e simulações computacionais realizadas em larga escala por uma rede de instituições de pesquisa e universidades.

Além do crédito e da pesquisa agrícola, os levantamentos territoriais têm sido usados para delimitar regiões produtivas e apoiar certificações de origem. No Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, mapas de relevo, altitude e uso da terra ajudaram a estabelecer limites de Indicações Geográficas e Denominações de Origem para vinhos da região. O uso de geotecnologias permitiu transformar percepções tradicionais sobre o território em critérios técnicos aplicados à regulação da produção e ao reconhecimento do chamado terroir.

Outros estudos orientaram políticas públicas voltadas à expansão agrícola com restrições ambientais. O Zoneamento Agroecológico do Dendê, elaborado pela Embrapa em parceria com outras instituições, identificou áreas aptas ao cultivo da palma-de-óleo na Amazônia Legal sem avanço sobre florestas nativas. Mais recentemente, levantamentos nas Matas de Rondônia indicaram que a expansão da cafeicultura local ocorreu majoritariamente sobre áreas já convertidas em pastagens, informação que tem sido utilizada para atender exigências ambientais de mercados internacionais e para apoiar estratégias de desenvolvimento regional.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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