Metodologia desenvolvida na Universidade de São Paulo e aplicada inicialmente na capital paulista foi patenteada no Brasil com a proposta de transformar dados territoriais em mapas de vulnerabilidade urbana voltados ao planejamento público. O sistema cruza informações georreferenciadas sobre infraestrutura, rede elétrica, mobilidade, saúde e condições urbanas para identificar áreas mais suscetíveis a falhas e desigualdades no território, permitindo uma leitura espacial integrada das cidades.
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O método foi coordenado pelo geógrafo Luís Antonio Bittar Venturi no âmbito do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), centro sediado na Escola Politécnica da USP com apoio da FAPESP e participação de empresas privadas. A pesquisa resultou em um mapa de vulnerabilidade energética da cidade de São Paulo, classificando áreas residenciais em diferentes níveis de risco a partir do cruzamento de variáveis territoriais, como proximidade de hospitais, densidade arbórea, características da rede elétrica e cobertura por subestações.
A leitura territorial produzida pelo estudo revelou padrões que não seguem necessariamente a lógica tradicional da renda urbana. Segundo os pesquisadores, bairros considerados de alto padrão também apresentaram níveis elevados de vulnerabilidade energética em razão de fatores estruturais e territoriais específicos. A análise reforça a ideia de que determinadas fragilidades urbanas decorrem da combinação entre infraestrutura, uso do solo, densidade urbana e organização das redes de serviços, e não apenas de indicadores econômicos isolados.
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A metodologia utiliza uma matriz de ponderação baseada no modelo AHP (Analytical Hierarchy Process), permitindo atribuir pesos distintos aos indicadores conforme o fenômeno analisado. Os dados são posteriormente processados em ambiente de geoprocessamento para gerar mapas temáticos que classificam o território em diferentes níveis de vulnerabilidade. Segundo os responsáveis pelo projeto, a estrutura pode ser replicada em temas diversos, incluindo mobilidade urbana, segurança hídrica, criminalidade, saúde pública e planejamento energético regional.
A possibilidade de aplicação em escala ampliada já começa a mobilizar novas iniciativas. Um dos projetos em discussão prevê o uso da metodologia para mapear vulnerabilidades da infraestrutura energética em todo o Estado de São Paulo, buscando apoiar decisões de expansão, redundância e priorização de investimentos públicos e privados. O avanço desse tipo de ferramenta indica uma tendência de fortalecimento do uso de inteligência territorial e geoprocessamento como suporte à formulação de políticas públicas orientadas por evidências espaciais.
Com informações da Agência FAPESP
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

