O Mapa Proibido da América do Sul: O Caso Juan de la Cruz Cano e a Geopolítica Colonial

Mapa de Juan de la Cruz Cano y Olmedilla

Em artigo de Ketlyn Ribeiro no site IGN, é contada a curiosa história do mapa da América do Sul encomendado pelo rei Carlos III no século XVIII. A tarefa de elaborar o mapa foi confiada ao cartógrafo espanhol Juan de la Cruz Cano y Olmedilla, que se dedicou ao projeto com minúcia e rigor. O resultado foi um trabalho cartográfico impressionante, repleto de detalhes e precisão inédita para a época. No entanto, em vez de ser celebrado, o mapa gerou grande preocupação entre os círculos políticos espanhóis, levando à sua censura e quase total destruição.

O problema não estava na qualidade do mapa, mas sim no momento político delicado em que foi produzido. A Espanha e Portugal negociavam novos tratados para definir as fronteiras na América do Sul, e a precisão do trabalho de Juan de la Cruz Cano acabou revelando informações que favoreciam os interesses portugueses. Temendo que o mapa prejudicasse a posição espanhola, a Coroa ordenou que sua impressão fosse suspensa e que as cópias já distribuídas fossem recolhidas. Assim, um dos mapas mais importantes do século XVIII foi deliberadamente apagado da história, restando apenas algumas cópias preservadas em instituições e coleções privadas.

A ironia desse episódio está no fato de que a excelência do trabalho acabou sendo sua sentença de desaparecimento. Juan de la Cruz Cano dedicou mais de uma década ao projeto, investindo seus próprios recursos, apenas para ver seu trabalho rejeitado e proibido. O cartógrafo, que havia apostado tudo na grandiosidade do mapa, foi indenizado, mas morreu em ruína e desacreditado. Enquanto isso, sua obra, longe de ser esquecida, despertou o interesse de estudiosos e colecionadores ao longo dos séculos.

Mesmo após os esforços da Coroa espanhola para eliminá-lo, o mapa sobreviveu e circulou pela Europa, chegando até Thomas Jefferson, então embaixador dos Estados Unidos em Paris, que encomendou uma cópia. Hoje, a raridade da obra se reflete no valor que lhe é atribuído: em 2021, um exemplar foi leiloado por 26 mil euros, um testemunho tardio do reconhecimento que Juan de la Cruz Cano jamais recebeu em vida.

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