Por que a localização voltou ao centro da estratégia das multinacionais

Muqsit Ashraf, Tomas Castagnino e Giju Mathew, na Harvard Business Review, analisam como a fragmentação geopolítica e regulatória transformou a localização em um fator central da estratégia das empresas multinacionais. Segundo os autores, adaptar marketing ou preços a mercados regionais já não é suficiente em um cenário marcado por conflitos comerciais, leis de soberania de dados, exigências de produção local e restrições à transferência internacional de tecnologia.

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O artigo aponta que governos passaram a exigir que atividades consideradas essenciais — como pesquisa e desenvolvimento, fabricação e processamento de dados — sejam realizadas dentro de suas fronteiras. Como consequência, empresas globais vêm duplicando cadeias de suprimentos, integrando fornecedores nacionais e regionais e aceitando perdas de escala para garantir resiliência operacional e conformidade regulatória. Esse movimento representa uma mudança estrutural na forma de organização das multinacionais.

Os autores descrevem esse novo arranjo como o modelo da “empresa multipolar”, caracterizado por operações regionalmente integradas, com alto grau de autonomia local, mas orientadas por decisões estratégicas centralizadas. Diferentemente da descentralização tradicional, esse modelo pressupõe a personalização de tecnologias, processos e fluxos de trabalho conforme as realidades políticas, regulatórias e econômicas de cada região.

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A análise é baseada em dados de duas décadas sobre investimentos estrangeiros diretos, redes de fornecedores e parcerias corporativas, além de pesquisas com executivos e estudos de caso. Os resultados indicam um crescimento significativo da diversificação geográfica das operações, com destaque para o aumento da participação do Oriente Médio, da Ásia Central e da zona do euro nos fluxos globais de investimento, bem como para a expansão acelerada de parcerias comerciais e tecnológicas entre empresas de diferentes regiões.

O texto conclui que, em um ambiente multipolar, a vantagem competitiva depende menos da padronização global e mais da capacidade de operar de forma plena em cada região, mantendo coordenação estratégica e inteligência compartilhada. Tecnologias digitais, como sistemas integrados de dados e ferramentas de inteligência artificial, passam a desempenhar papel central ao conectar decisões locais a uma visão global. Para os autores, a localização deixou de ser um detalhe operacional e se tornou um dos principais determinantes da competitividade das multinacionais no cenário atual.

Para ler o artigo, clique aqui.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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