Portugal pretende combinar satélites de observação, redes de sensores, inteligência artificial e gêmeos digitais para antecipar efeitos de secas, incêndios rurais e cheias sobre energia, transportes, comunicações e abastecimento de água. As estratégias foram apresentadas pelo ISQ durante o Encontro de Ciência e Inovação, em Lisboa.
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Os gêmeos digitais permitem simular o comportamento de infraestruturas físicas e identificar vulnerabilidades antes que eventos extremos interrompam serviços essenciais. A proposta depende de transformar grandes volumes de dados em informação operacional quase em tempo real, conectando observação do território, manutenção e proteção civil.
A futura Constelação Atlântica luso-espanhola é apontada como parte dessa capacidade. A cobertura contínua do continente e do oceano poderá apoiar planejamento de risco, defesa e acompanhamento de áreas onde a observação terrestre é mais difícil ou descontínua.
O ISQ também utiliza reconstruções tridimensionais georreferenciadas que combinam drones, satélites e LiDAR. Na agricultura, as análises podem indicar estresse hídrico, teor de clorofila e risco fitossanitário; em infraestruturas, podem ajudar a localizar deformações, exposição e necessidades de intervenção.
O principal obstáculo relatado não é apenas captar dados, mas incorporá-los à decisão cotidiana. Plataformas seguras de compartilhamento, padrões comuns e demonstrações operacionais serão necessários para evitar que municípios, operadores e centros de pesquisa mantenham diagnósticos paralelos sem capacidade de produzir resposta coordenada no território.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

