Rafael Bitencourt, pela Agência iNFRA, diz que o novo presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Francisco Valdir Silveira, calcula que o país poderá levar cerca de 110 anos para concluir o mapeamento adequado de seu território se o ritmo atual de pesquisa for mantido. Em entrevista, ele afirmou que a estatal precisaria ao menos dobrar o quadro de servidores dedicados ao mapeamento geológico, além de recompor o orçamento, para acelerar a produção de informações sobre o subsolo brasileiro.
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Hoje, o SGB conta com aproximadamente 1,4 mil funcionários, dos quais 580 são geólogos. Pela dimensão territorial do Brasil, Silveira estima que, na prática, cada geólogo é responsável por uma área equivalente ao tamanho da Bélgica. Segundo ele, a experiência internacional mostra que, em países mineradores, o financiamento da pesquisa mineral costuma ser conduzido pelo poder público, seja por meio de reforço direto ao orçamento da instituição, seja pela criação de fundos abastecidos com receitas da própria atividade mineral.
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O presidente interino ressalta que o desafio não se limita a recursos financeiros. De acordo com Silveira, mapear o território brasileiro é uma “decisão política” que exige equipes qualificadas e logística complexa, especialmente em regiões remotas como a Amazônia, onde são necessários helicópteros, embarcações e estruturas de apoio em áreas de difícil acesso. Em 2025, a estatal lançou concurso para 115 novos servidores, com salários de até R$ 10,5 mil, número considerado insuficiente diante das aposentadorias esperadas nos próximos anos.
Silveira assumiu a presidência interina há cerca de uma semana, após um período de instabilidade na cúpula do SGB, com três presidentes em um mês e denúncias de uso indevido de verbas e ligações políticas que levaram às últimas exonerações. Servidor de carreira há 24 anos e também diretor de geologia e recursos minerais, ele afirma que sua prioridade é “restabelecer a normalidade” e reforçar o papel técnico da estatal na implementação da política de minerais críticos, articulada com o recém-instalado Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e seus grupos de trabalho.
Do ponto de vista técnico, o SGB considera que apenas cerca de 30% do território nacional é conhecido na escala 1:100.000, tida como mínima para avaliar o potencial mineral de uma área; o restante está em escalas mais gerais, como 1:250.000, com maior grau de incerteza. Em áreas específicas de alto interesse, como o Quadrilátero Ferrífero (MG) e Carajás (PA), o conhecimento atinge escalas mais detalhadas, de 1:50.000. Mesmo com esse quadro, Silveira sustenta que o país dispõe de pelo menos um depósito de classe mundial para cada mineral demandado globalmente e de uma matriz elétrica majoritariamente limpa, fatores que, segundo ele, reforçam o potencial brasileiro para suprir a demanda internacional por minerais críticos, desde que o mapeamento avance em ritmo compatível.
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