Suíça vota proposta para limitar população a 10 milhões até 2050

Por Partido Popular Suíço (SVP)

A Suíça vota em 14 de junho uma iniciativa popular que pretende limitar a população residente a 10 milhões de pessoas até 2050. A proposta foi apresentada pelo Partido Popular Suíço (SVP), legenda de direita que ocupa cerca de um terço das cadeiras no Parlamento. O texto foi levado a referendo após reunir as 100 mil assinaturas exigidas pelo sistema de democracia direta do país. Atualmente, a Suíça tem cerca de 9,1 milhões de residentes permanentes e projeções indicam que pode atingir a marca de 10 milhões por volta de 2035.

Receba todas as informações da Geocracia pelo WhatsApp

A iniciativa determina que, caso o limite seja alcançado, o governo federal adote medidas para impedir que a população ultrapasse esse patamar. O foco da proposta está na imigração, prevendo restrições à entrada de novos residentes, incluindo requerentes de asilo e familiares de estrangeiros já estabelecidos no país. O partido argumenta que o crescimento populacional pressiona o mercado imobiliário, as infraestruturas e os serviços públicos, além de impactar o mercado de trabalho.

Dados do Escritório Federal de Estatística (OFS) mostram que a população suíça cresceu cerca de 25% desde 2000. Aproximadamente 27% dos residentes são estrangeiros, uma das maiores proporções da Europa. A Suíça, que tem território de 41.285 km² — cerca de metade da área de Portugal —, mantém altos salários e qualidade de vida, fatores que atraem trabalhadores de outros países, especialmente da União Europeia.

Quero meu exemplar de Direito Administrativo Geográfico

Quero meu exemplar de Direito Ambiental Geográfico

O governo federal e a maioria do Parlamento recomendam a rejeição da proposta. O Executivo avalia que a medida pode comprometer acordos bilaterais com a União Europeia, dos quais dependem o acesso ao mercado único e a livre circulação de pessoas. Entre os instrumentos potencialmente afetados estão os acordos de livre circulação, a participação no Espaço Schengen e compromissos vinculados à Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA). Autoridades alertam que a revisão desses tratados pode trazer impactos econômicos relevantes.

Entidades empresariais também se posicionaram contra a iniciativa. Empresas como Nestlé, Roche, Novartis e UBS empregam grande número de trabalhadores estrangeiros qualificados. A federação empresarial Economiesuisse afirma que a economia suíça depende da migração laboral e que restrições rígidas podem afetar setores como saúde, transporte, hotelaria e construção civil. Pesquisas recentes indicam um eleitorado dividido, com cerca de metade dos entrevistados favoráveis à limitação e pouco mais de 40% contrários, sinalizando um resultado incerto no pleito.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

Veja também