Quem vive em uma comunidade quilombola sabe quando uma necessidade muda, uma informação envelhece ou uma parte da história ficou de fora do registro oficial. Em Goiás, um observatório digital pretende dar a representantes dessas comunidades acesso para incluir, validar e atualizar os próprios dados. O lançamento está previsto para 6 de novembro, com participação gradual e capacitação dos moradores.
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A plataforma reunirá mapa interativo, busca e páginas das comunidades, com localização, população e situação fundiária quando disponíveis. A proposta combina bases públicas com informações produzidas no território. Assim, dados institucionais sobre uma localidade poderão ser complementados por conteúdos sobre infraestrutura, organização comunitária, memória e cultura que os moradores considerem relevantes divulgar.
A diferença está em quem participa da atualização. Nos modelos que dependem apenas de órgãos públicos ou pesquisadores, uma mudança local precisa chegar a esses intermediários antes de aparecer no sistema. O projeto abre outra possibilidade: representantes autorizados poderão contribuir diretamente, com identificação da origem das informações e histórico das alterações. Esse registro permitirá acompanhar como o conteúdo foi construído e revisto.
Mais informação pública, nesse caso, exige também controle comunitário sobre a divulgação. Fotografias, relatos, documentos históricos e conhecimentos tradicionais dependerão de autorização. A plataforma deverá identificar fontes e datas de atualização, permitindo distinguir um registro institucional de uma contribuição local e verificar quando foi produzido. A capacitação prevista para novembro será parte da entrada das comunidades nessa gestão.
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O Observatório Goiano das Comunidades Quilombolas foi idealizado por Gleice Coutinho, pesquisadora kalunga, no laboratório de inteligência artificial da Escola Judicial do TJGO. A estrutura prevê adaptação futura a outros estados. A apresentação do projeto foi escrita por Loren Milhomem e publicada pelo Tribunal de Justiça de Goiás em 15 de outubro.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.




